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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Queixa-se "por ter sido humilhada e gozada" no centro de saúde

Uma mulher, a trabalhar temporariamente no Centro de Saúde de Vouzela como auxiliar de ação médica, disse hoje que enviou para a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde uma queixa "por ter sido humilhada e gozada" naquela unidade de saúde.

Em declarações à agência Lusa, Maria Adelaide Silva explicou que a queixa foi enviada esta semana para a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS), organismo ao qual deu a conhecer um episódio que teve início a 10 de fevereiro, quando lhe pediram para realizar trabalho de separação de processos no sótão do centro de saúde de Vouzela.
"Como fui trabalhar para lá como CEI [Contratos de Emprego Inserção], não podia exercer qualquer função sozinha, tinha de ser sempre com outra auxiliar vinculada à função pública, mas a verdade é que me mandaram sozinha para aquele sótão com pouca luz, cheio de humidade e de prateleiras com processos", descreveu.
De acordo com Maria Adelaide Silva, de 54 anos, o trabalho de separação de processos estendeu-se para os dias seguintes, tendo "perguntado ao responsável pelos auxiliares se continuaria a fazer o trabalho sozinha".
"Foi-me dito que estava lá para trabalhar e fazer o que me mandavam, o que acatei. A 15 de fevereiro, numa altura em que me encontrava sozinha, caiu-me em cima uma prateleira cheia de processos", sustentou.
Maria Adelaide Silva apontou que não tem ideia do tempo em que esteve "soterrada em processos, com a estante por cima e com dificuldades em respirar".
"Uma das minhas colegas, que também está a fazer um CEI, é que deu comigo debaixo daqueles processos. Lembro-me de a ouvir a gritar e a ir pedir socorro, mas voltou sozinha e tentou de tudo para me ajudar. Só depois apareceu uma enfermeira que ainda se riu e me perguntou se me pendurei na prateleira", lamentou.
Um dos médicos que se encontrava a dar consultas "também veio ver o que se passava" e solicitou que chamasse uma ambulância para a levar para o hospital, uma vez que "o raio-X do centro de saúde não está a funcionar".
"Neste momento, estou em casa em repouso, a recuperar das mazelas que felizmente não tiveram outro tipo de gravidade. Mas, com a queixa apresentada pretendo que outras pessoas que estejam na mesma situação sejam tratadas com dignidade e como seres humanos", revelou.
Contactado pela Agência Lusa, o diretor do Agrupamento de Centros de Saúde Dão-Lafões, Luís Botelho, confirmou que o responsável pelos serviços administrativos do centro de saúde de Vouzela lhe reportou por escrito que Maria Adelaide Silva "teve um suposto acidente em serviço".
"Nessa exposição por escrito explicou que foram visitados por uma jurista, que solicitou a colaboração de uma assistente operacional para separar pastas no arquivo morto, mas por razões de carência de assistentes operacionais, foi-lhe perguntado se poderia ser um CEI, ao qual obteve uma resposta positiva. Diz ainda que, dois dias depois, a mesma jurista solicitou um elemento para dar apoio ao CEI, mas que, mais uma vez, informou que não possuía elementos disponíveis e solicitou o adiamento da organização do arquivo morto", referiu.
A exposição enviada a Luís Botelho aponta ainda que o responsável pelos serviços administrativos informou Maria Adelaida Silva, na manhã do dia 15 de fevereiro, de que "esta não deveria ir para o sótão sozinha", mas que "a mesma ignorou as orientações emanadas".
"Um outro CEI foi encaminhado para o mesmo local e, aquando da sua chegada ao sótão, deparou-se com estantes e respetivas pastas tombada, com Maria Adelaide deitada no chão e algumas pastas por cima dos membros inferiores. Perante tal cenário, foi-lhe prestado apoio médico e de enfermagem pelos profissionais da unidade e, posteriormente, acionado o 112", reporta ainda o documento.
A Lusa contactou também a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde, que confirmou a receção da denúncia, que será "devidamente encaminhada".
Fonte: NM


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