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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Mãe quereria "magicamente" proteger filhas de alegados maus tratos

Responsável da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima explicou ao Notícias Ao Minuto possível comportamento de mãe que se terá atirado ao rio Tejo com as duas filhas.

Sónia Lima saiu esta segunda-feira de casa alegando que iria tratar de uns assuntos. Até ao final do dia não voltou a dar notícias, até que os meios de comunicação social anunciavam que uma mãe e duas filhas teriam caído nas águas do rio Tejo, numa praia de Caxias.
Muitos pensaram tratar-se de um acidente, até que novas informações fazem crer que terá sido a própria mãe a atirar-se para a água com as filhas. O objetivo, tudo indica, seria pôr termo a uma vida de alegados maus-tratos nas mãos do marido.
Saliente-se que ontem o pai das crianças veio repudiar estas acusações, garantindo estar a "viver momentos de profunda dor".
Em conversa com Daniel Cotrim, responsável pela área de violência doméstica da APAV- Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, o especialista começa por lembrar que não se pode ainda “falar de um crime”. A sê-lo, será um “crime de infanticídio”, mas para já estamos ainda na parte de “investigação”, reforça.
Segundo Daniel, esta terá poderá ter sido uma forma de Sónia “reagir” aos supostos maus-tratos de que seria alvo e te-lo-á feito com base num sentimento “altruísta de as proteger [às filhas] de um mundo que é mau. Teve necessidade de as proteger, tirando-lhes a vida”.
“Talvez a ideia dela seria: ‘já que sofri tanto enquanto mulher vou magicamente fazer com que não passem por isto’”, diz o assistente técnico da direção da associação, que considera que a mulher poderá ter pensado também que desta forma as três poderiam ir “para um outro patamar, viver de uma forma tranquila”.
Sónia, porém, não terá conseguido ir até ao fim com as suas intenções e acabou por sair do mar e pedir ajuda para salvar as vidas das filhas. Uma atitude “normal” dado que quem está nesta situação “tem sempre depois um momento de lucidez” em que pensa que é possível “começar tudo de novo”.
Neste caso, Sónia perdeu as filhas, tornando ainda mais difícil a possibilidade de um retomar de vida normal.
“É um luto complicado. Sobreviveram os dois que não estavam bem na relação e morreram as duas que eram o laço da relação”, explica o responsável pela área de violência doméstica da APAV, defendendo que o “sistema terá de dar a Sónia todo o apoio psicológico e psiquiátrico para evitar um fim trágico”, pois na maioria dos casos deste género “o homicida volta a tentar matar-se”.
A situação de violência de que seria alvo era conhecida do Ministério Público e de outras instituições. Daniel Cotrim lembra que há um sistema de teleassistência e que as crianças estavam sinalizadas. Por isso, defende, estas entidades terão apoiado a mulher e o que aconteceu foi apenas fruto da “sua autonomia”.
“Mesmo com muitas redes este desfecho não seria previsível. Mas ela terá dado muitos sinais”, refere, alertando que nestes casos é muito importante que família e amigos “denunciem” essas situações como forma de as evitar.
Sónia foi ontem detida pela Polícia Judiciária e presente a juiz, tendo-lhe sido decretada a medida de coação de prisão preventiva.
Fonte: NM


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