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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Costa garante não ter "nada escondido na manga". Direita não acredita

O primeiro-ministro, António Costa, garantiu hoje que o Governo tem "total confiança" no orçamento que apresenta e que não tem "nada escondido na manga", enquanto o deputado centrista João Almeida o acusou de "aumentar impostos indiscriminadamente".

Numa ronda de cinco pedidos de esclarecimento feitos pelos deputados ao Governo, na discussão na generalidade do OE para 2016 que decorre na Assembleia da República, da direita vieram perguntas sobre um eventual plano B que terá sido pedido pelas instituições europeias ao executivo.
"Nós temos total confiança no orçamento que apresentamos e não temos nada escondido na manga. Nós temos uma relação séria e clara com a União Europeia", assegurou Costa.
Segundo o primeiro-ministro, o pedido feito pela União Europeia "é muito diferente do que foi dito o ano passado", porque foi então pedido ao Governo que apresentasse "as medidas e o que o então primeiro-ministro [Pedro Passos Coelho] disse foi que era prematuro".
"Eu não digo que é prematuro, eu digo que estamos a fazer o que nos compete fazer", sublinhou, prometendo que o Governo vai "prosseguir a política definida, que passa por aumentar o rendimento disponível das famílias".
António Costa usou a analogia de uma viagem de carro até ao Porto e dos imprevistos que podem acontecer durante a mesma que podem resultar numa mudança de trajetória para fazer uma comparação com o orçamento.
"O que temos que fazer é preparar-nos para qualquer eventualidade. Nós faremos tudo para cumprir as metas que assumimos que seriam as metas deste orçamento, nós queremo-nos bater pela reposição de rendimentos, pelo crescimento da economia, mas também pela redução do défice nominal e estrutural.
O deputado do CDS-PP João Almeida fez uma intervenção muito crítica relativamente às opções orçamentais do Governo de António Costa - durante a qual citou por duas vezes intervenções do ex-primeiro-ministro socialista José Sócrates sobre questões de impostos - e foi perentório: "O senhor voltou à opção socialista de aumentar impostos indiscriminadamente".
Costa contrariou esta crítica e afirmou que "este Governo não só não aumenta o IVA, como a única intervenção que tem no IVA é baixar o da restauração".
"O Governo, a opção que fez, é que em vez de aumentar o IVA como os senhores fizeram, aumentou os impostos especiais sobre o consumo do tabaco, dos veículos, do crédito ao consumo e dos produtos petrolíferos. Optámos sobretudo por não aumentar mais os impostos sobre os rendimentos do trabalho, das pensões e até das empresas", explicou.
Depois de ouvir o deputado centrista João Almeida e o deputado do PSD Manuel Rodrigues, o líder socialista deixou uma crítica: "Todos os dias estão à espera que finalmente seja o dia em que há um problema. Ou com a Comissão Europeia ou com a [agência de rating] DBRS ou com alguém".
No entanto, Costa traçou uma diferença entre os dois partidos da direita: Até agora tenho registado que o CDS tem tido uma atitude bastante responsável, patriótica e que não se confunde com a atuação do PPD-PSD".
Sobre as declarações de Manuel Rodrigues - que acusou o Governo de expor o país aos riscos externos com este orçamento - o governante foi irónico: "Manuel Rodrigues leu aqui aquilo que gostaria de ter lido e não leu nem nas conclusões da Comissão nem nas conclusões do Eurogrupo. É por isso que nos congratulamos muito para que esteja aqui e não esteja nem na Comissão, nem no Eurogrupo".
Fonte: NM


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