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sábado, 20 de fevereiro de 2016

6 modinhas “inofensivas” que causaram destruição

Modinhas geralmente trazem uma carga de problemas que a maioria prefere ignorar, pelo prazer de poder fazer parte de uma. Pode ser simplesmente algo que vai gerar poluição mais tarde, como tamagochis e cubos mágicos, mas pode ser algo mais sinistro, cujo perigo só é reconhecido mais tarde.

6. A modinha radioativa do Radium que envenenou Paris

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Em 1898, Pierre e Marie Curie descobriram o radium, uma substância altamente radioativa. Fique muito tempo perto de uma amostra desta substância e você vai ter problemas.
Só que o radium veio sem o manual do usuário, e ninguém sabia as consequências terríveis do envenenamento radioativo. Afinal de contas, uma substância que brilhava no escuro, que mal poderia haver?
Um monte de alegações foram feitas sobre a substância – que era um tipo de tônico, ou então tempero – e o radium foi parar em creme dental e chocolates, supositórios e remédios para tosse.
Esta mania foi mais intensa em Paris, onde sua propriedade luminescente causou uma febre. Batons e outros tipos de maquiagem eram populares por fazer o rosto das moças brilhar no escuro.
O resultado não podia ser outro. A ANDRA, organização responsável por mapear o lixo radioativo francês, já identificou 130 locais com traços de material radioativo o suficiente para serem consideradas um risco para a saúde. Curiosamente, boa parte destes lugares foi descoberto por causa de antigos posteres de propaganda.

5. A modinha vitoriana por tinta verde que envenenou milhares

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No meio do século 19, a Inglaterra Vitoriana ficou apaixonada pelo Verde de Scheele, que era usado para tingir tudo – roupas, acessórios, brinquedos, velas, cortinas e papel de parede.
Nada de errado com a cor, o problema era o pigmento, que usava arsênico. A pior parte? As pessoas sabiam que o arsênico era tóxico. E sabiam que a tintura verde tão amada tinha aquele veeno. E pareciam não se importar, já que usavam a tintura até para colorir a comida.
Mas o maior envenenamento aconteceu por causa do papel de parede. Literalmente milhares de famílias foram mortas pelos gases liberados (eles achavam que enquanto ninguém lambesse o papel, estava tudo bem).
Pior, a remoção do papel de parede tóxico é uma atividade extremamente perigosa. Até hoje tem gente com casas que são verdadeiras câmaras de gás. Verde.

4. A mania inglesa do chá começou uma guerra e encheu a China de ópio

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Ao mesmo tempo que estavam transformando suas casas em câmaras de gás, os ingleses também estavam enchendo a cara como nunca. A razão era simples: o gim era barato e o chá era caro.
Um dos motivos era o preço que os maiores exportadores cobravam. Os chineses não aceitavam nada menos do que prata pelo chá. Enquanto a demanda estava baixa, tudo bem. Entra em cena o movimento pela temperança, causando uma demanda imensa pelo chá chinês.
Os brilhantes mercadores ingleses tiveram então a fantástica ideia de trocar o chá por outro produto igualmente caro, o ópio. Claro, o ópio era proibido na China, mas isto não funciona para diminuir a demanda.
Em pouco tempo, cerca de 90% da população adulta com menos de 40 anos estava viciada no ópio, causando um impacto devastador na economia chinesa.
Em 1839, o imperador chinês resolve dar um basta, mandando examinar os navios ingleses, e tomando milhares de barris de ópio. O chá acabou e a Inglaterra resolve que não dá para viver sem chá, e manda a marinha inglesa.
16 navios de guerra passaram os dois anos seguinte explodindo a costa chinesa e matando entre 20.000 e 25.000 soldados chineses, perdendo apenas 69 homens. Os chineses foram obrigados a assinar um tratado, concedendo a ilha de Hong Kong para os ingleses e abrindo cinco portos para o comércio do ópio – além de pagar as despesas de guerra da Inglaterra.
Tudo por causa do chá.

3. O amor ao jeans pinta a China de azul

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Qual a roupa de algodão mais popular no mundo inteiro? O jeans. E atrás dela vem toda a sorte de roupas de algodão tingidas de azul, como jaquetas, saias e acessórios.
Atualmente, a maior parte destes jeans vem da China, principalmente Xintang, que faz cerca de 200 milhões de jeans cada ano. O que está envenenando o Zhu Jiang (Rio das Pérolas), que abastece mais de 12 milhões de pessoas em Guangzhou, com uma combinação de alvejantes e tintura índigo.
E não é só o problema do alvejante e da tintura. As fábricas de jeans estão despejando metais pesados, como chumbo, mercúrio, cádmio e selênio, no esgoto. O que não é neurotóxico é carcinogênico, se não os dois.
Os burocratas chineses insistem que não há nenhum relato de intoxicação em massa nos centros populacionais que usam o Zhu Jiang como fonte de água, alimento e transporte. Mas a cor azul-denim não parece boa coisa.

2. O amor que os romanos tinham ao açúcar causou envenenamento por chumbo

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Antigamente havia pouca variação de sabor nos alimentos, mas os romanos descobriram que ferver um punhado de frutas até evaporar toda a água deixava um caldo doce, chamado defrutum, no fundo da panela. E eles usavam o tal de defrutum em tudo, da carne ao queijo ao vinho, até mesmo como conservante.
O problema é que o defrutum era feito em panelas de chumbo, já que utensílios de cobre ou bronze estragavam seu sabor. Só que testes modernos mostram que o cozimento também produzia uma substância com mais de 1.000 a dose aceitável de chumbo. A maior parte dos romanos sofria de envenenamento crônico por chumbo.
Dado que o envenenamento por chumbo inclui efeitos como perda de peso, anemia, irritabilidade e delírios, talvez seja isto que explique o comportamento bizarro de certos imperadores romanos. O mais estranho é que os romanos pareciam saber dos efeitos do envenenamento por chumbo. Pode ser que eles simplesmente não se importavam…

1. A alta demanda de pneus de bicicleta levou a um genocídio no Congo

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No início da década de 1890, a bicicleta era febre na Europa e, nos cinco anos seguintes, tomou os Estados Unidos. Uma das explicações para o aumento da popularidade foi a invenção do pneumático de borracha, que substituiu as rodas de madeira ou metal. Mas como conseguir milhões de pneumáticos infláveis de borracha?
Fácil, escravizando uma nação africana e obrigando-a a coletar o látex. Aquele genocida popularmente conhecido como Rei Leopoldo II da Bélgica era quem mandava no Congo, na época, transformando aquele país em fonte de marfim e borracha. A tática do rei era simples: cada aldeia tinha uma cota a preencher; se não conseguissem, a aldeia era queimada, ou todas as crianças eram mortas, ou as mãos dos trabalhadores eram cortadas. Ou os três ao mesmo tempo, por que não?
A escravidão era ilegal na época na maioria dos países, mas o rei Leopoldo manteve o Congo tão isolado pelo controle de todas as rotas de comércio que o país acabou se tornando uma fábrica ilegal. Durante a era de ouro da bicicleta, o número de bicicletas subiu em 10 milhões, enquanto a população do Congo diminuiu em aproximadamente 10 milhões.
Fonte: hypescience

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